O beijo da morte
Chega sólida e fria, tomando o calor de cada veia do corpo. Repousando sobre a inércia dos pensamentos. Distantes, curtos e incoerentes. Absorvendo a atenção de cada sentido. Voltando o ponto de vista à beira do enlouquecer. De um desejo de estar junto a quem se foi. De desejar não ter nascido e a viver tal momento, que mais parece ser eterno. Onde os dias são repetidos, mesmo quando os raios de sol penetram a janela ou quando a chuva se atira ao telhado, cantando melancolia. Persiste o mesmo silêncio dentro do corpo, de saber que está morta a razão de sua vida. Hoje, distante, perdida não se sabe onde. Não há forma de se ouvir tal maldição, onde os ouvidos se calam e repetem e se ecoam as palavras, até entender que a verdade se fez. É o beijo da morte... Quando toca seu pescoço, com sua boca nua e fria, sobressalta cada pêlo do seu corpo. Ainda inerte.